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Auditoria no Corinthians indica retirada acima da cota de materiais da Nike

Brasileirão18 de novembro de 2025
Auditoria no Corinthians indica retirada acima da cota de materiais da Nike

Relatório de auditoria interna realizada no Corinthians identificou irregularidades na gestão dos materiais esportivos fornecidos pela Nike, com retiradas que teriam ultrapassado em quase 300% a cota anual prevista em contrato. O documento, ao qual o ge teve acesso, aponta que a situação teria afetado até o time profissional: em determinado momento, o clube não dispunha de camisas suficientes para a partida contra o Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro. A apuração mira o controle de entrada, armazenamento e distribuição dos produtos da fornecedora oficial, incluindo uniformes de jogo e materiais de treino.

Segundo o levantamento, enquanto o volume de itens retirados crescia acima do limite estabelecido com a Nike, equipes das categorias de base e de outras modalidades do Corinthians estariam recebendo menos materiais ou atuando com uniformes em condição considerada inadequada. A auditoria elenca sete ocorrências classificadas como graves, entre elas o acúmulo de coleções antigas sem destinação definida, distribuição desigual entre dirigentes, funcionários e atletas, e retirada de produtos sem seguir o fluxo completo de aprovações internas. Também foram relatadas solicitações feitas por pessoas não autorizadas, o que, segundo o relatório, dificultaria a identificação de quem utiliza os materiais em cada área do clube.

Auditoria no Corinthians detalha falhas na gestão de materiais

O documento registra ainda que não há inventário físico formal do almoxarifado do Parque São Jorge há mais de quatro anos, o que impede o confronto sistemático entre o estoque real e os dados de sistema. Notas fiscais de recebimento de materiais não teriam sido lançadas adequadamente, criando divergências contábeis e potencial exposição a questionamentos fiscais. A falta de planejamento nos pedidos direcionados à Nike, somada à ausência de um controle unificado de saída dos itens, é descrita como um fator que contribuiu para o desequilíbrio entre o volume recebido, o consumo interno e a disponibilidade de uniformes para as diferentes equipes do Corinthians.

De acordo com o relatório, o vice-presidente Armando Mendonça, apontado como responsável direto pela administração dos materiais esportivos, aparece no centro de algumas das ações consideradas irregulares pela auditoria. O texto afirma que o dirigente “demonstrou tom de preocupação em relação ao andamento dos trabalhos de auditoria” e utilizou “expressões de natureza agressiva e alusões interpretadas como ameaças” em diálogos com Marcelo Munhoes, diretor de Tecnologia do Corinthians e responsável por conduzir o processo de verificação. A análise interna indica que a atuação da vice-presidência teria influência sobre a forma como pedidos eram autorizados e como materiais eram distribuídos dentro do clube.

Armando Mendonça nega irregularidades em relatório interno

Procurado pelo ge, Armando Mendonça afirmou que não é o responsável por definir as diretrizes de distribuição dos materiais da Nike, alegando apenas acompanhar a execução e cobrar rotinas mais rígidas de controle de retirada dos itens. O vice-presidente disse ainda utilizar produtos do clube em ações de relacionamento com parceiros e torcedores, negou ter feito ameaças a integrantes da auditoria e classificou o relatório como tendencioso. A atual gestão do Corinthians não detalhou publicamente quais medidas adotará a partir das conclusões do levantamento, mas a apuração interna pode embasar eventuais discussões em conselhos do clube e ajustes nos procedimentos de controle de estoque e de relacionamento contratual com a Nike.

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